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“Não se percebe o que se passa dentro da escola, o que é a escola,
sem compreender o que se passa fora dela.”

(Ana Nunes Almeida)

   Uma família incluída na vida escolar dos seus filhos porquê? É esta a grande questão que pretendemos esclarecer. Existem estudos que comprovam uma influência positiva desta relação ao nível académico dos alunos, ou seja, quando os pais estão envolvidos na vida escolar dos filhos, estes apresentam resultados mais positivos, sentem-se mais seguros e têm consciência do apoio que é fornecido por aqueles que lhes são mais próximos, facilitando em diversas situações a maneira como estes lidam não só com a mudança que advém das transformações da passagem dos anos como também a maneira como se relacionam com os outros. Porém é importante referir que não estamos a afirmar que aqueles alunos cujos pais possam eventualmente não estar tão presentes neste processo não possam ter também um bom aproveitamento escolar. Um outro ponto importante é que nesta relação não é só a escola que tem de trazer as famílias para a sua instituição, a escola deve também reconhecer as famílias e o seu meio envolvente.

   Uma das funções principais dos pais nesta relação é o acompanhamento dos filhos, tendo em atenção se este está a desenvolver-se, se está a conseguir acompanhar as temáticas abordadas na escola por cada disciplina, se está a cumprir a realização de trabalhos que lhes são pedidos, isto são alguns exemplos. Contudo, não deve assumir um papel muito controlador, pois o aluno também deverá ser capaz de realizar autonomamente as tarefas e de saber organizar-se para as realizar. Deste modo, dentro e fora da escola devemos oferecer aos alunos a capacidade de realização, de autonomia e de descoberta de si mesmo e da sua identidade.

   Para além da função referida anteriormente e como a escola e a família nunca deveriam ter uma relação conflituoso nem de rivais, devem sim ajudar-se mutuamente. Um exemplo da participação dos pais são as reuniões que a escola realiza para transmitir as informações à família, relativamente a espetáculos, atividades temáticas, reuniões relacionadas com as classificações dos alunos, simboliza assim o trabalho em conjunto entre a escola e a família na medida em que carece a presença das duas. Assim, a participação em atividades promovidas pela escola, festas, entre outras, é importante, pois os filhos assim entendem o quanto os seus pais estão e querem estar presentes na vida deles e no seu percurso seja a nível académico seja a nível pessoal.

   Acima de tudo o diálogo entre as duas instituições aqui em discussão é o ponto mais importante. Este diálogo pode ser feito de diversas maneiras como reuniões presenciais, como referidas anteriormente, pois estas permitem o debate, a troca de ideias ou esclarecimento de dúvidas existentes entre a escola e a família tendo em conta que as crianças vivem em contextos (culturais, sociais, religiosos) distintos e os pais têm diferentes possibilidades, sendo necessário este diálogo para a escola adaptar-se e atendar às necessidades das famílias e vice-versa. Por outro lado, a conversa pode ser feita recorrendo às tecnologias, troca de emails, também a troca de cartas e a utilização da caderneta escolar.

   Referimos que é importante os pais acompanharem os filhos, que a família participe no processo escolar, como em reuniões, contudo não é só isto que é importante. O diálogo escola-família é bastante essencial para que as escolas consigam mais informações sobre os alunos que as integram, para melhor incluir este na sua instituição.

   Contudo, existem alguns efeitos que a escola provoca nas famílias que são bastante visíveis. Um dos exemplos é que a escola condiciona as atividades da própria família, ou seja, os ritmos escolares obrigam os pais a ter um horário em casa mais específico para conseguir dar resposta a todas as necessidades, sejam necessidades mais básicas, como as próprias lidas domésticas, um simples passeio em família, com os trabalhos que os filhos trazem da escola e têm de dedicar assim tempo para esses. Outro elemento que influencia são as deslocações, muitas vezes as escolas são longe de casa, o horário de trabalho dos pais pode não ser compatíveis com os horários escolares e não têm como levar os seus filhos à escola, recorrem a meios de transporte que por vezes demoram imenso tempo até à escola. Por fim, podemos abordar que algumas famílias não têm possibilidades económicas para dar resposta aos pedidos da escola, a compra de certos materiais específicos, de livros, cadernos e relacionando com o ponto anterior se uma família tem de recorrer aos transportes para que o filho se desloque até à escola pode não ter possibilidades para os pagar. São alguns dos exemplos que conseguimos verificar por experiência própria.

   Uma consideração final relativamente à relação escola-família que achamos relevante fazer alusão é à Lei de Bases do Sistema Educativo, onde podemos encontrar várias referências sobre a família. Uma delas apresenta que o sistema educativo deveria organizar-se de forma a:

“Contribuir para desenvolver o espírito e a prática democráticos, através da adopção de estruturas e processos participativos na definição da política educativa, na administração e gestão do sistema escolar e na experiência pedagógica quotidiana, em que se integram todos os intervenientes no processo educativo, em especial os alunos, os docentes e as famílias” (Artigo 3.º, alínea l),

tal como já referimos anteriormente e esta alínea nos transmite, é importante que as famílias estejam inseridas em todo o processo educativo. Também no Artigo 57.º, ponto 1 esse papel das famílias é mencionado:

“É reconhecido pelo Estado o valor do ensino particular e cooperativo, como uma expressão concreta da liberdade de aprender e ensinar e do direito da família a orientar a educação dos filhos.”

   Em suma relativamente a toda esta relação, a influência que a escola exerce sobre a família vai depender da forma como a família interpreta e lida com essas influências e vice-versa.

Relação Família-Escola

Lei de Bases do Sistema educativo. (2020). Lei n.º 46/86 - Diário da República n.º 237/1986, Série I de 1986-10-14.

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